domingo, 25 de agosto de 2013

Compondo


Foi como um poema..
Devagar...traçando letras...
Misturando notas...
Tecendo melodias em...notas 
 de sonhos...
Olhos leram a partitura.
Mãos viraram páginas.
Buscando música
Correndo em teclas.
Tocando cordas...
Sob o domínio do maestro
surge a sinfonia...afinada...
regida...orquestrada em 
ritmo... alucinante...
                              Chove lá fora....

Marcia Portella

domingo, 18 de agosto de 2013

Olhos de lua




O amor muda infinitas vezes,
como o desabrochar de uma
magnífica flor com leve 
odor de sangue...

Quantas vezes nos amamos,
nos odiamos...nos reinventamos..
Ansiamos por ser um só...e nunca
mais nos ver...
Escrevemos tantos versos
que eram meus e seus..

Tivemos tanto amor,e descaso
que nossas palavras perderam-se
entre sombras...
de um abismo ...sem fim...

Não nos olhamos mais com olhos de lua
que nasciam com pálpebras pesadas
nos avaliando,fazendo com que
nos sentíssemos vistos,ofuscando
nossa razão que alastrava-se no ar
em voejo como um pássaro... ferido..

Já não sou sua...nem somos nós...
Somos mar silencioso,caindo do
do tombadilho...das madrugadas

                                                           Marcia Portella

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Mar de agosto


Olhando na fresta da janela...
vejo que a vida se abre...
nessa amanhã de agosto...
Ao ler seu poema...
senti sua respiração cair
a meu lado...acordando
minha alma...como o orvalho
  num mar....
infindo....... infinito....
trazendo o céu...sobre os lençóis....
A paixão aporta...vinda
das corredeiras doces dos rios,
desaparecendo no esplendor
das águas salinadas...
entre flores.... 
que se abrem ao vento,
ao cair... no mar de agosto..

                                                                Marcia Portella

quarta-feira, 24 de julho de 2013

La belle de jour


Devia ter ido quando 
você me chamou...
Ter amado como você me amou...
Ter tido coragem de ser....
La belle de jour...
Te sentir...plana como uma lápide
sob as folhas do outono...esperando
que de seus galhos..... chovessem
flores em mim....
Parar o tempo... nesse momento...
dizer que te amava...
Sorrir e mentir que era só...
um encontro casual...para ficar
na saudade ...como um poema
ardente...escrito em letras de agonia
com aroma de channel
Na bela tarde....

                                                          Marcia Portella


sábado, 6 de julho de 2013

Em branco



Nessa manhã percebi...
   as ruas empoeiradas,gastas...
As folhas secas sem vida,
penduradas em cansadas árvores
que esgueiram-se confusas,
ao encontro da neblina...
Aquele amor que às vezes  está
perto,profundo,vital animado
da chama divina...
Lembrei do poema inacabado no
fundo da gaveta escura com
o amor imaginado,errado,sentido...
Percebi o olhar perplexo que se perde
em rostos como afastados
por mãos invisíveis;aparecendo uma
máscara esculpida,grave,fria,
sem vida apesar de bela...
Senti o tempo que um dia nos
vestiu de pureza aparecendo precipitado,
gorgolejante na senda dos caminhos,
corroendo aos poucos nossa
 vestimenta dias e noites afora...
Velando nosso olhar triste,cansado...
Escondendo-se dos lamentos 
e risadas alegres...
Percebi,o quanto...nada percebo...

                                                  Marcia Portella



terça-feira, 2 de julho de 2013

Carícia


Carícia é sopro que desliza na pele...
Arrepia,acende o desejo
que se põe em riste... na procura...
No combate corpo a corpo...
o guerreiro cansado...repousa
no pouso...da musa...
que cala...em versos derramados...

                                                                               Marcia Portella


terça-feira, 18 de junho de 2013

Mar ausente


A tarde esfuma-se
 lentamente tocada por
  dedos ávidos da noite...
Rabisco,apago,
volto a escrever em 
 ritmo alucinado...
Letras confusas dançam
descompassadas..
O papel reage aos rasgos
 da indecisão,cria vida
  e roga às palavras que
 sejam breves...
O pensamento cala, 
a razão blasfema,o corpo
 vibra em defesa, acuado...
Sentidos palpitam,
mãos caem em flacidez
deitando-se no colo do
aconchego...
Olhos falam em sua nudez
 crescente versos em breves sons,
deixando um rastro de sonhos...
O grito preso em algemas
de silêncio...corta o ar 
em pedaços de agonia,
morrendo lentamente afogado
em águas salinadas
De mar ausente..

Marcia Portella