sábado, 1 de novembro de 2014

Consinta



Consinta que eu te esqueça
Neste momento em que uma
Cortina de chuva vela a tarde...
No vidro da janela espirais 
De vapor dançam sangrando
Em gotas de saudade...
Consinta que eu recolha minha
 Alma no silêncio manso dos 
sonhos,fugindo desses olhos
profundos que temo cair...
Neste olhar lânguido feito águas
 Paradas que só o amor...agita
Consinta... que eu volte em mim.


                                                        Marcia Portella_Go

Ele


Ele viaja por minha casa,
como se fosse sua...
Trás a paixão ardendo
entre os vãos da noite.
Bebe meu vinho.
Ouve minhas musicas.
Revira minhas gavetas.
Esconde seu retrato.
Abraça meu silêncio...
Vai embora deixando
uma dor avassaladora_
Uma sombra que
deslocou do corpo...
Deixando uma sombra,
 Na parede...

                                               Marcia Portella_Go

Inquietude



O caule em riste,
Alonga-se à procura
Da rubra flor...
Quando roça suas pétalas
Num ímpeto de agonia,
Em espasmos de amor...
Chora seiva em sua corola
Ecoando em soluços
Na inquietude...
                          Do momento.

                                                        Marcia Portella_Go

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Infinitude


Seu último momento de amor
foi tão fresco e doloroso,como
a juventude transplantada através
do tempo com seus olhos brilhando
de amor;bêbados de sol...
Sentiu a carícia deslizar levando-o
em doce desbrochar...
O amor inflou como uma vela,
com a respiração entrecortada que
 não parava de ondular vagarosamente,
num leve roçar,sendo expelido em
lentos movimentos,riscando a
  areia do caminho no suave vaivém.
O chão oceano,o leve roçar que...
Deflagrou o mar...

                                                          Marcia Portella_Go

domingo, 3 de agosto de 2014

Ruas quietas


Hoje o dia tem uma melancolia que
faz com que me sinta menos sozinha
em minha própria melancolia...
Saio a caminhar no primeiro dia de julho
em ruas quietas,frias,tristes,e vazias...
Algumas varandas ainda tem vestígios de
flores de maio perdidas no tempo...
Paro,escuto o silêncio,registro momentos.
Ouço uma agulha arranhando um vinil.
Na parede um violão encostado,a palheta
guardada,o quadro negro apagado,o giz
quebrado,o chão riscado...
Nos armários vestidos pendurados pairam
no ar como fantasmas lacrados,esquecidos.
Sinto a solidão passar apressada,acanhada,
calada,encostando em muros pichados
fugindo do resmungo do tempo...
Em uma janela o feixe de um abajur brilha
como se fosse o sinalizador minúsculo de
um farol,avisando que a noite chega como
um veleiro onde todos voltam a navegar
recriando seus destinos..
A brisa está fria,abraço meus braços
Aperto o passo...entro no silêncio...

                                                                  Marcia Portella_Go


sábado, 10 de maio de 2014

Açucena


O amor aprofunda no lago,
sorvendo minha água...
Decanto na noite 
flutuando em flor.
Açucena vermelha,
lábios de coral orvalhada
em pétalas sedosas...
Vibro em perfume entre sedas,
flor translúcida como cristal
onde o poema rebrilha
em ardentes rimas trancado
em desassossego...
entre às pétalas da flor...
Num jato de amor em agonia
 final...a dor estanca de repente
em versos mudos que sepultei...


                                                            Marcia Portella

sábado, 26 de abril de 2014

Casulo



Teço teias poéticas...
Jogo sementes em palavras
...te espero.
Espero que se enrede
em meus cabelos perdido
entre nós apertados...
Na surdina vou te enrolar
soltando fios de seda 
entremeados de perfume
floral amadeirado,
 te guardando em casulo 
   de amor desesperado...
  Enrolado entre sonhos,
percorrerá o labirinto
sem se perder
 encontrando...
 a pérola...a resposta
a ponta do fio
     Que te cerca...

                                                      Marcia Portella