quinta-feira, 25 de junho de 2015

Ao ventre



Quando o mar calar as ondas.
A tarde refulgir na noite.
As janelas cerrarem.
O vento perder a corrida.
A melodia emudecer as notas.
Os sonhos adormecerem.
O desespero rugir.
O tormento desabar.
O grito árido soar descontrolado
em todas as horas que o tempo
preenche por excelência.
Recolha-se ao ventre...


                                 Marcia Portella 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Dourado



Sobe o fecho éclair,vê seu rosto no espelho;
mil reflexos mas de único rosto.
A pele levemente bronzeada,os fios loiros
mais curtos que o normal,com profundas
olheiras;nada que um corretivo
 não possa amenizar...
Vai a janela,sente o calor do sol 
 esquentar sua alma dormente,gelada...
Ele dorme o sono dos justo?... só ele sabe.
Ela sonhou com a primavera em uma
cidade grande,com rios que exibiam leitos
em tom safira encapelados pelos ventos.
Descobriu uma cidade enrodilhada ao redor
de ruas, igrejas e praças em uma trama
igual a um cesto de serpentes aninhadas...
Uma cidade silenciosa,tocada em nuvens
de luzes piscantes,árvores verdes delirantes,
que ganham a rua ao anoitecer e a tornam
amante;que ela aceita sem inibição...
Leva o amor todas as noites entregando-se
com olhos fechados,ouvindo dos bares 
os músicos cansados,óculos escuros 
com sua insônia dando os últimos acordes...
Ao sair acende um cigarro como se fosse 
ópio, adicionado ao ópio o narcótico 
que aplaca seu tédio,um amigo íntimo,
amável,presente,fiel...
Nesse momento a cidade tem vida letárgica
tal qual a dela e todas as pessoas...
Na rua, seus passos são ouvidos pelo único
brilho que carrega em sua alma cansada;
Sandálias douradas...


                                                    Marcia Portella


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Falta




     Falta que sufoca,
    oprime,aprisiona...
Só,refugio-me na
luz como uma droga no
 labirinto da loucura.
Risco o medo na poeira,
solto no vácuo do vento
do tempo infinito da
memória desperta...
Embaraçada no espaço,
      sou fio enrolada no cansaço     

              
                                 Marcia Portella


domingo, 31 de maio de 2015

Canto



Canto um canto mudo,
surdo,derramado em pranto
que corta minha voz  no
desencontro da saudade...
Sinto que cobres o branco
de minhas folhas nuas,
em versos que dançam em
noites de agonia rompendo
o alvorecer em chamas
 que alastram-se de encontro
 ao vento e de tudo,
Faz silêncio...


                                             Marcia Portella


sexta-feira, 8 de maio de 2015

Aconchego


A árvore com seus galhos
que o vento  faz gemer,vem
cheia de braços,vozes e tremores
de luz arranhando a janela com
suas folhas que batem no vidro...
Na penumbra,a lareira crepita em
longas chamas tentando com seu
bailado seguir a música que toca...
No decorrer da noite,brasas rubras
voam em cinzas de sonhos com nossas
almas amando no desespero final...
O brilho que resta ilumina seus olhos
cerrados,serenos como um anjo cansado.
Me despeço, levando sua alma que...
Na minha se perdeu.


                                           Marcia Portella





                        

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Nos braços do silêncio



Sei...já não há tempo...
De ouvir a voz do vento.
Das palavras caladas.
De lembrar do ontem
e sonhar com o amanhã.
De estancar a seiva dos
galhos podados que já
não brotam, no cio árido
das sementes secas sem
noites de orvalho...
De esticar o fio que segura
o pêndulo levando momentos
em apelos mudos...
Ha se pudesse!...cinzelava
o amor nas chamas para
que ao escurecer trouxesse
a magia da eternidade mas...
o amor entra...me olha
encosta em mim...me engana
e leva-me a dançar...
Nos braços do silêncio.

                                       Marcia Portella_Go

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Caminho secreto



A neve caía em brancas flores
que estilhaçavam em diamantina luz
em cada pétala que se desprendia...

O gelo derretia sob nossos pés
no calor da despedida, ao mesmo
 tempo que congelava nossos lagos
em um momento perpétuo...

Quando os bulbos romperem a terra
e de suas delicadas haste abrirem flores,
Resurgiremos em novos sonhos,
novos rostos,e com olhos que poderão
as próprias lágrimas iludir...


                                                           Marcia Portella