domingo, 2 de agosto de 2015

Fascinação




Poesia que plana leve,alva,
pena de prata ao luar...
Acaricia o amor na despedida
em melodia muda,surda,
embalada por acordes menores
 que a brisa sopra...
Provocante sussurra 
segredos suaves,doces,
perpetuamente encantados...
Pluma branca,fascinação que o céu
 derrama no inverno do tempo,
   escondendo sua essência que
 pulsa docemente oculta,
Na cortina do universo...

                                             Marcia Portella

Quando ele parte




O amor sempre morre...
Num final de tarde,
Em uma nesga de tempo,
Num rasgo de desilusão
de forma tempestuosa 
entre lençóis...
Morre no silêncio das vozes,
Em ecos solitários,
Perambulando por praças,
cinemas,ruas escuras
Na inércia dos sentidos...
O amor morre restando apenas
o rastro de um leve beijo nos cabelos
e o ruído doloroso da porta,
Se fechando...


                                                 Marcia Portella

Espiral




Talvez eu te procure com a pele ardendo
 em açoites,serpenteando enrolada em
 espiral,à procura de um atalho para que
 sigamos mais que sombras no amar.

Vou surgir em corpo esguio de  bailarina
 cabelos negros abundantes de matizes
  espalhados em intrincados espirais...

Trarei o incensário em fogo com aromas
  esvoaçantes em enxames de sensações...

Juntos em giros e carícias múltiplas faremos
o caminho inverso no tempo, sombreados
na travessia do breu ,exalando versos,
Que recolho ao amanhecer...


                                                Marcia Portella





quarta-feira, 22 de julho de 2015

Diga-me



Diga-me onde está
 neste momento
para que siga
 sua lembrança...
Pintarei o rosto 
sumindo na mistura
 das cores;um vulto
a velar-te na 
noite dos aflitos
quando teu sono
 despertar em gritos...
Neste momento,
 há de sentir que...
 Em você existo.


                                     Marcia Portella

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Ao ventre



Quando o mar calar as ondas.
A tarde refulgir na noite.
As janelas cerrarem.
O vento perder a corrida.
A melodia emudecer as notas.
Os sonhos adormecerem.
O desespero rugir.
O tormento desabar.
O grito árido soar descontrolado
em todas as horas que o tempo
preenche por excelência.
Recolha-se ao ventre...


                                 Marcia Portella 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Dourado



Sobe o fecho éclair,vê seu rosto no espelho;
mil reflexos mas de único rosto.
A pele levemente bronzeada,os fios loiros
mais curtos que o normal,com profundas
olheiras;nada que um corretivo
 não possa amenizar...
Vai a janela,sente o calor do sol 
 esquentar sua alma dormente,gelada...
Ele dorme o sono dos justo?... só ele sabe.
Ela sonhou com a primavera em uma
cidade grande,com rios que exibiam leitos
em tom safira encapelados pelos ventos.
Descobriu uma cidade enrodilhada ao redor
de ruas, igrejas e praças em uma trama
igual a um cesto de serpentes aninhadas...
Uma cidade silenciosa,tocada em nuvens
de luzes piscantes,árvores verdes delirantes,
que ganham a rua ao anoitecer e a tornam
amante;que ela aceita sem inibição...
Leva o amor todas as noites entregando-se
com olhos fechados,ouvindo dos bares 
os músicos cansados,óculos escuros 
com sua insônia dando os últimos acordes...
Ao sair acende um cigarro como se fosse 
ópio, adicionado ao ópio o narcótico 
que aplaca seu tédio,um amigo íntimo,
amável,presente,fiel...
Nesse momento a cidade tem vida letárgica
tal qual a dela e todas as pessoas...
Na rua, seus passos são ouvidos pelo único
brilho que carrega em sua alma cansada;
Sandálias douradas...


                                                    Marcia Portella


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Falta




     Falta que sufoca,
    oprime,aprisiona...
Só,refugio-me na
luz como uma droga no
 labirinto da loucura.
Risco o medo na poeira,
solto no vácuo do vento
do tempo infinito da
memória desperta...
Embaraçada no espaço,
      sou fio enrolada no cansaço     

              
                                 Marcia Portella