domingo, 2 de agosto de 2015

Malhas trançadas




Sob a pequena luminosidade do
crepúsculo,seus olhos eram como
 jóias brilhantes incendiados de luz...
Meus olhos perderam-se nadando
na trêmula lagoa do seu ansioso olhar...
Era como se visse minha saudade
oculta identificando-se como sua
saudade explícita...
Com a paixão em servidão que
arrasta qualquer um que nela persista;
na escuridão dos sentimentos, por 
trás da cortina rendada de meus olhos,
 sinto como se algo fosse apanhado na rede
afogando entre ondas...
Em um mar vasto e inexplorado perco-me;
Entre malhas trançadas...


                                                   Marcia Portella

                       


Evidências



A lua com sua luz perolada
atravessa  claraboia... 
Vejo minha sombra na vidraça
voando como uma borboleta  no
jardim da memória...
Meus sentimentos esparramam 
como peças de quebra-cabeça que 
e aos poucos vai formando minha figura,
 entre cartas,retratos e o gosto de usado...
A sombra da saudade me cerca congelada, 
tão próxima,que sinto seu sopro gelado.
  Vendo o passado sendo filtrado 
nos olhos do  presente
Apago a luz...

                                                       Marcia Portella

Adeus...




As pestanas repousavam em sua face
como um leque negro.
Sua sombra pareceu deslocar-se
do corpo e passar por minha pele
como se fossem mãos divinas...
Seus olhos me atravessaram
e seguiram além;até um lugar
de sofrimento,um inferno íntimo
que não me era dado penetrar...
Neste momento você se tornou
o canto ilusório de uma poesia  em 
um silêncio que feria meus ouvidos;
parecia uma figura medieval encerrada
em esguia catedral...
Com seu amor,tomou-me pela mão
e ao sentir seu calor foi como se escuro
 tivesse vida,tivesse forma,tivesse gosto,
 e não fosse nem dia nem noite.
Com sua voz na minha disse:
Adeus...

                                                     Marcia Portella

Fascinação




Poesia que plana leve,alva,
pena de prata ao luar...
Acaricia o amor na despedida
em melodia muda,surda,
embalada por acordes menores
 que a brisa sopra...
Provocante sussurra 
segredos suaves,doces,
perpetuamente encantados...
Pluma branca,fascinação que o céu
 derrama no inverno do tempo,
   escondendo sua essência que
 pulsa docemente oculta,
Na cortina do universo...

                                             Marcia Portella

Quando ele parte




O amor sempre morre...
Num final de tarde,
Em uma nesga de tempo,
Num rasgo de desilusão
de forma tempestuosa 
entre lençóis...
Morre no silêncio das vozes,
Em ecos solitários,
Perambulando por praças,
cinemas,ruas escuras
Na inércia dos sentidos...
O amor morre restando apenas
o rastro de um leve beijo nos cabelos
e o ruído doloroso da porta,
Se fechando...


                                                 Marcia Portella

Espiral




Talvez eu te procure com a pele ardendo
 em açoites,serpenteando enrolada em
 espiral,à procura de um atalho para que
 sigamos mais que sombras no amar.

Vou surgir em corpo esguio de  bailarina
 cabelos negros abundantes de matizes
  espalhados em intrincados espirais...

Trarei o incensário em fogo com aromas
  esvoaçantes em enxames de sensações...

Juntos em giros e carícias múltiplas faremos
o caminho inverso no tempo, sombreados
na travessia do breu ,exalando versos,
Que recolho ao amanhecer...


                                                Marcia Portella





quarta-feira, 22 de julho de 2015

Diga-me



Diga-me onde está
 neste momento
para que siga
 sua lembrança...
Pintarei o rosto 
sumindo na mistura
 das cores;um vulto
a velar-te na 
noite dos aflitos
quando teu sono
 despertar em gritos...
Neste momento,
 há de sentir que...
 Em você existo.


                                     Marcia Portella