domingo, 22 de maio de 2016

Jazz




Notas ressoam em pálida
vibração audível deslizando
 nos sentimentos, em leve
 roçar de murmúrios...
Acordes fogem da harmonia.
Sons crescem descompassados
ecoando desejos em
fôlegos esparsos...
Notas suaves serpenteiam em  
arpejos, à embriagar sentidos.
Corpo canta,sibila, soando em 
ritmo afinado...
É música noite à dentro.
No descanso...um jazz sonolento.

                           Amanhece...


Marcia Portella

 Foto _Tumbir
Go_ 12 de novembro de 2009
           
                    

                                      
             

terça-feira, 26 de abril de 2016

Clausura



No santuário da alma,
confesso sentimentos
 mesclados do sagrado 
ao profano...
Peço absolvição sentindo 
o perfume que exala do
incensório da nave fria,
da minha capela.
Em comunhão solitária
invoco o amor, sorvendo a
hóstia que contém 
sua essência...
Em clausura,ungida com
óleo sagrado apago velas
esguias,que derramam lágrimas
 de fogo na penumbra...
No silêncio pesaroso que paira
no ar cerro as portas, com o 
céu e inferno ampliados em mim.
Santa...insana

Marcia Portella



Goiânia_9 de outubro de 2009

hotographer Ilona Pulkstene





sexta-feira, 22 de abril de 2016

Lunar




Com a suavidade de um suspiro,
a melodia chega leve,tocando cordas,
acariciando,encrespando em arrepios
dando um toque de swing no blus.

Em seguida cai na melancolia da
 paisagem lunar.
A música espreguiça na lenta 
planície sem fim,além do que acaba
o mundo ressoando em notas,
ritmo e cadência...

Á medida que o crepúsculo cai,
notas recaem sobre a pauta,
bafejando fogo em todos os sentidos,
cruzando a estrada que a lua abre,
em luz e sons...

Sensações correm nas veias que
ao gotejar,abre-se em flor orvalhada;
nessa noite onde tudo pertence...
Ao descompasso.


                                   Marcia Portella


Imagem_Tumber
                         

                              

  
      
                                        


segunda-feira, 11 de abril de 2016

Déjà vu



No silêncio...sinto sua presença
esbarrando em meu vazio.
Uma visão rápida...um déjà vu,
como se uma porta fechada abrisse
de repente.
A tarde é banhada por uma luz pálida,
anterior a todas as luzes do mundo.
A brisa reforça,as árvores inclinan-se
suplicantes; o jasmim exala em 
 espasmos perfumados.
Olho no céu e o vejo entre nuvens
como Zeus, em um pintura alegórica.
Minha alma brota do corpo em verde
haste;indo à seu encontro na vastidão
do céu esvoaçante,ágil no arrepio da
Imaginação...

                                         
Marcia Portella

Imagem_Vetor

quarta-feira, 23 de março de 2016

Retrato do poeta




(In memoriam ao poeta Roberto Romanelle Maia  )
Não o encontro neste retrato.
Em seu semblante,tem um sorriso
que não é seu...
Seu olhar é vivo,apaixonado pela vida
  ás vezes com uma luz tão intensa, que
parece insano...
Tem um quê de impaciência como
se tudo tivesse que ser imediato até
no amor;mesmo que não seja sensato.
Em sua irreverência nem sempre 
é compreendido e  á vezes... odiado.
Sua imagem tem olhos ansiosos,cabelos
despenteados,nervos à flor da pele.
É irônico,acido,mas sabe ser doce e suave
como um vinho de paladar macio e aveludado.
É um dínamo que impulsiona,deslocando
a paixão,transitando pelas múltiplas
áreas dos sentidos.
Retrata a solidão ecoando poemas, com
a força inesgotável do amor.
Divaga fascinado, saboreando as eternas
nuances do sagrado ao profano...
Gladiador sem armas,luta com as palavras
na esperança que seus sonhos sejam realidade,
ao alcançar o oculto,quando sua alma imortal
ganhará a liberdade e seus poemas... 
A eternidade.


(...............)


                   Marcia Portella

Imagem_Betina La Plante


segunda-feira, 21 de março de 2016

Retornei




Não falo de mim
ou de saudade...
Minhas palavras ,
adormeceram no tempo
onde tudo é remoto,
e nada coincide.
Nunca fiz perguntas,
nem respondi.
Apaziguei ventos.
Segurei tempestades.
Carreguei o peso dos anos,
retida entre paredes invioláveis
onde tudo era secreto...
O que sei de mim...esqueci.
Tudo é branco,frio e plácido
como o inverno.
Sem desenganos questionar,
porque calei,onde estive,
se desatinos cometi...
Não sei!
Mansamente em mim retornei
                                   


                                                   Marcia Portela


Imagem_Web


domingo, 13 de março de 2016

Entre brumas




Entre brumas te vi passar
pálido,como seus cabelos
cheirando a mar...
Seus olhos marejados
diziam que, ainda que
seu corpo estivesse ali,
nesse momento seu espírito
naufragava,em plena tempestade,
 num mar escuro e gélido...
O áspero quebrar das ondas
e o contínuo murmúrio
cavernoso do mar gritava alto
sua emoção, tão muda,quanto
cicatrizes em um alma,que partiu
inteira e voltou faltando pedaços...
Ao sentir que partia,meus lábios
tremeram,frágeis, como uma rosa
à beira do colapso...
Meus olhos derramaram mar.





                                                Marcia Portella

Tela_Casper David Fredrich