sexta-feira, 15 de julho de 2016

Eletrizando



Passou eletrizando
todas as cordas.
Tocando todos os sons,
trazendo a saudade
em arrepios de notas
melancólicas...
Rompeu a melodia 
do tempo
Solfejou segundos,
minutos,horas,
compôs lembranças...
Tornou-se miragem 
regendo poesia antiga.
Arfou em loucuras
Revirou mortalhas
Descobriu segredos
Ficou nua no frio
da saudade.
Lavou a alma em 
ventos de areia.
Amou...

                                        Marcia Portella
PHOTO АЛЕКСЕЙ КРИВЦОВ

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Espera




À meia-luz entre as frestas da cortina,
contemplo o agito das pessoas
e dos michês no início da noite.
Vejo você chegando todo de branco
parecendo uma escultura de cera
à luz do luar...
Afoga-me em seus braços
  abraçando-me como se quisesse
me esvaziar por dentro...
Sua voz macia, envolvente,soa como
o lamento de blues crescendo até 
que cada movimento,cada corda,
  nos encontre em harmonia ...
Um flash de luz néon rasga à noite
mostrando com sua luminosidade nosso
 reflexo unindo,fundindo,derretendo, 
o amor generoso que derramou em 
meu ventre, como a lua sobre a terra...
Ao lhe deixar,viro a cabeça como se fosse
enfiar embaixo da asa;como um pássaro
que está dormindo...
Deixo o amor com a cor do vento...


    
                                      Marcia Portella

Imagem_AlterEgo

domingo, 5 de junho de 2016

À procura



  
Ela faz um poema para que
 a sombra que acompanha seus
 momentos de alienação leia..
A sombra se retrai temerosa,
não quer entrar em um mundo
de divagações e buscas...

Com os olhos pesados de sono ela 
 vaga em meio as águas indo além; 
na tentativa de descobrir seus
 segredos no abismo dos pesadelos...

Posta-se em vigília temendo 
escorregar na senda estreita da
 mentira,que a leva a condenção
  do inferno soltando o mal; névoa
 que rastreia urnas proibidas...
Em estreitos caminhos.


                                    Marcia Portella


                        

     Imagem_Web                               

domingo, 22 de maio de 2016

Jazz




Notas ressoam em pálida
vibração audível deslizando
 nos sentimentos, em leve
 roçar de murmúrios...
Acordes fogem da harmonia.
Sons crescem descompassados
ecoando desejos em
fôlegos esparsos...
Notas suaves serpenteiam em  
arpejos, à embriagar sentidos.
Corpo canta,sibila, soando em 
ritmo afinado...
É música noite à dentro.
No descanso...um jazz sonolento.

                           Amanhece...


Marcia Portella

 Foto _Tumbir
Go_ 12 de novembro de 2009
           
                    

                                      
             

terça-feira, 26 de abril de 2016

Clausura



No santuário da alma,
confesso sentimentos
 mesclados do sagrado 
ao profano...
Peço absolvição sentindo 
o perfume que exala do
incensório da nave fria,
da minha capela.
Em comunhão solitária
invoco o amor, sorvendo a
hóstia que contém 
sua essência...
Em clausura,ungida com
óleo sagrado apago velas
esguias,que derramam lágrimas
 de fogo na penumbra...
No silêncio pesaroso que paira
no ar cerro as portas, com o 
céu e inferno ampliados em mim.
Santa...insana

Marcia Portella



Goiânia_9 de outubro de 2009

hotographer Ilona Pulkstene





sexta-feira, 22 de abril de 2016

Lunar




Com a suavidade de um suspiro,
a melodia chega leve,tocando cordas,
acariciando,encrespando em arrepios
dando um toque de swing no blus.

Em seguida cai na melancolia da
 paisagem lunar.
A música espreguiça na lenta 
planície sem fim,além do que acaba
o mundo ressoando em notas,
ritmo e cadência...

Á medida que o crepúsculo cai,
notas recaem sobre a pauta,
bafejando fogo em todos os sentidos,
cruzando a estrada que a lua abre,
em luz e sons...

Sensações correm nas veias que
ao gotejar,abre-se em flor orvalhada;
nessa noite onde tudo pertence...
Ao descompasso.


                                   Marcia Portella


Imagem_Tumber
                         

                              

  
      
                                        


segunda-feira, 11 de abril de 2016

Déjà vu



No silêncio...sinto sua presença
esbarrando em meu vazio.
Uma visão rápida...um déjà vu,
como se uma porta fechada abrisse
de repente.
A tarde é banhada por uma luz pálida,
anterior a todas as luzes do mundo.
A brisa reforça,as árvores inclinan-se
suplicantes; o jasmim exala em 
 espasmos perfumados.
Olho no céu e o vejo entre nuvens
como Zeus, em um pintura alegórica.
Minha alma brota do corpo em verde
haste;indo à seu encontro na vastidão
do céu esvoaçante,ágil no arrepio da
Imaginação...

                                         
Marcia Portella

Imagem_Vetor