sábado, 18 de fevereiro de 2017

Não estar




A dor do não estar
É nada que vaga
No clamor do eco.
É alma frágil,pendida
Corpo sem abraços.

É saudade invernal
Geada branca
Canto triste
Véu bordado...
De sonhos antigos.


                            Marcia Portella
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Quando os olhos falam



Seus olhos são distantes quando-
me fitam descuidados.
Brilhantes quando sorriem
às vezes me olham de soslaio
com leve desdém verde pálido.

São escuros quando não estão
Semi-cerrados quando me enganam
Amiúde tremulam carinhos despindo
minha alma em acalantos.

Agoniados são tempestuosos
derramando em águas de amor-
quebrando em ondas no...amar

                                       Marcia Portella
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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Rituais



O vinho não foi bento,a palavra
 não confessou,a nave da capela
ficou fria...
O livro não foi lido,cânticos de 
de louvor,ecoaram sem sentido.

O cálice suspenso entre mãos,
tingiu a bata branca onde a cólera
controla o fogo sagrado, na pira
funerária que consome a fúria.

Rosários desfiam entre dedos feridos.
Em clausura secam corpos fecundos
em eterna prisão.
Nos outeiros em gritos vermelhos,
crescem flores.
O missal contempla bênçãos solenes-
 nos joelhos feridos,constante oração.

Tortura no confessionário onde 
ecoam gemidos...
Pecadora confessa,espera punição.
Ungiu em óleo seu corpo em chamas,
Adormeceu ébria nos braços de Baco-
Roga absolvição...


                                   Marcia Portella_Go
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Vidas



Podem imolar,apedrejar
Não sou mártir apenas 
quem tirou o véu e disse-não!
Viajo no tempo à séculos.
Sou mito transfigurado em
pecado eterno...
Valquíria em seu cavalo alado
recolhendo despojos de guerreiros.
Medusa presa,desfigurada com
maldição no olhar...
Queimada como feiticeira.
Castrada em meus desejos.
Santa,Madalena,guerreira.
A que invoca nos santuários frios
 à sombra das velas.
Que blasfema nas ruas consumida
na escravidão da noite.
Tigresa de garras afiadas.
Santarrona dos confessionários.
Beata enclausurada em lamentos.
A face oculta do mistério.
O único mortal que dá à luz
ou escuridão .
                       Sou mulher...

sábado, 5 de novembro de 2016

Voz calada




Apesar da luz que irradia,
sinto que entrei em um mundo
de sombras, recolhida no silêncio,
com uma cortina de tule descendo 
diante dos meus olhos.

O grito mudo de tua ausência some
entre paredes em espantoso silêncio.
Ouço tua voz calada,sinto tua respiração,
amo com o desespero dos aflitos.

Vejo teu caminhar no vulto encolhido,
solitário,que passa com os braços soltos
nos lados como um anjo caído...

Sozinha, cruzo as mãos em prece,cerro
minhas pálpebras-borboletas cansadas
de dançar entre flores inquietas...

Velas despejam sombras,lamento como
 uma carpideira entoando ladainhas.
Em desespero brado em gritos infames-
não posso ficar parada no tempo!

Entrego nossas almas à esteira rolante
da eternidade,tiro o véu...sigo em sombra 


Marcia Portella


Fhotografher_Incvar Igor

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Crepúsculo




Vivo na fúria dos ventos
Na densidade da solidão
Na explosão do vulcão que
ofusca o crepúsculo...

Entorpecendo sentidos,
crivo sonhos raiados no
emaranhado das cores 
do horizonte que a noite
apaga em sublimação...

Morro na fronteira da luz
 e escuridão me desfazendo
como uma aquarela rasgada 
flutuando do ocaso à aurora


                      Marcia Portella

                                                                                Go_sete de julho de 2011

Imagem_Tunber

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Camicase



Ao cerrar os olhos,imagino
quantas dobras de memórias
terei que atravessar antes de 
encontrar sua lembrança...

Minha alma cai aos meus pés
como galhos de salgueiro fazendo 
com que pense ter todas as idades...

O cansaço da espera torna-se um
um beijo partido,um vácuo no tempo.

Sem controlar a lucidez,permeada de
loucura,voo direto para a luz vaporosa
com a precisão de um camicase...

Ao explodir trago na noite a sensação
de um inverno quente, e um silêncio...
Ensurdecedor.


                                   Marcia Portella

                                                     


Imagem_ Fredrico Benner