terça-feira, 6 de junho de 2017

Espera




À meia-luz entre as frestas da cortina,
contemplo o agito das pessoas
e dos michês no início da noite.

Vejo você chegando todo de branco-
 uma escultura de cera à luz do luar.
Afoga-me em seus braços me abraçando
como se quisesse me esvaziar por dentro.

Sua voz macia,envolvente soa como
o lamento de um blue,crescendo até que
 cada corda nos encontre em harmonia...

Um flash de luz néon rasga a noite, 
mostrando com sua luminosidade nosso
reflexo derretendo,unindo,fundindo o
o amor generoso que derramou em
 meu ventre como a lua sobre a terra...

Ao sair,viro a cabeça como se fosse
enfiar embaixo da asa como um pássaro
que dorme-deixando o amor...
 Com a cor do vento.



Marcia  Portella_

(10/03/10 )

Imagem_Web

domingo, 28 de maio de 2017

Figurante eterno




Deslocada do eixo,derrama 
em ondas no deserto da lógica.
Grita maldição!... sentindo a vida
esvair-se entre seus sentidos.
Abre os braços paralisada em dores,
crucificada entre espinhos...
Blasfema contra as forças da natureza
que continuam passivas,em perene
sanidade ante sua loucura.
Solta os pulsos,tolhe a voz,
encerra-se nas paredes do tempo-
fera que come cinzas,alimenta-se de morte,
tece mortalhas,quebra elos,apaga imagens.
Seu grito, perde-se na solidão do monólogo.
Sombra caminhante,figurante eterno...
No teatro da vida.



                                                      Marcia Portella_Go

                                                                                    28/03/13

Foto-Lindsey-Adler-

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Indiferença




O quarto não tem janelas ou quadros.
Ela teme olhar as papoulas que 
derramam das paredes
 atiradas em seus momentos
de letargia solitária.
Trás o olhar esgazeado que vaga
à sua volta vendo pétalas caírem
em cadência,engolidas na vastidão
do oceano em que flutua sua
 alma dormente.
O vermelho grita em seus lábios
contrastando com a lividez da face.
Uma névoa transparente a leva 
ao indeterminado-ao som da vida.
Vidas que foram tantas que já não
sabe em qual está situada.
Vozes a confundem derrubando as
 frágeis armaduras do seu espírito.
Seus olhos brilham alucinados à medida
que avança tentando sair das sombras. 
O medo a detém indecisa... mascara-se
Nas frestas da indiferença...

                                                Marcia Portella

                                                                   (15/12/14)
Imagem_ Google

quinta-feira, 23 de março de 2017

Existo


Sou o lado em
 descompasso
 da razão...
Ando na noite 
discreta,silenciosa.
Transbordo sonhos
 em almas incautas,
dando forma e sentido
na arte da sedução...
Sou amante dos amores
clandestinos,a imagem que
seu pensamento reflete.
Aliada dos poetas
 transbordo desejos
incorporo sonhos.
Sou o grito sufocado
na voz do silêncio.
Corro no destino que traço.
Solto-me atrevida.
Sou ilusão... 


                                                Marcia Portella

                                                                       (8 de agosto de 2008)


Imagem_Loney Pierot


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Não estar




A dor do não estar
É nada que vaga
No clamor do eco.
É alma frágil,pendida
Corpo sem abraços.

É saudade invernal
Geada branca
Canto triste
Véu bordado...
De sonhos antigos.


                            Marcia Portella
Imagem_Web



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Quando os olhos falam



Seus olhos são distantes quando-
me fitam descuidados.
Brilhantes quando sorriem
às vezes me olham de soslaio
com leve desdém verde pálido.

São escuros quando não estão
Semi-cerrados quando me enganam
Amiúde tremulam carinhos despindo
minha alma em acalantos.

Agoniados são tempestuosos
derramando em águas de amor-
quebrando em ondas no...amar

                                       Marcia Portella
Imagem_Web

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Rituais



O vinho não foi bento,a palavra
 não confessou,a nave da capela
ficou fria...
O livro não foi lido,cânticos de 
de louvor,ecoaram sem sentido.

O cálice suspenso entre mãos,
tingiu a bata branca onde a cólera
controla o fogo sagrado, na pira
funerária que consome a fúria.

Rosários desfiam entre dedos feridos.
Em clausura secam corpos fecundos
em eterna prisão.
Nos outeiros em gritos vermelhos,
crescem flores.
O missal contempla bênçãos solenes-
 nos joelhos feridos,constante oração.

Tortura no confessionário onde 
ecoam gemidos...
Pecadora confessa,espera punição.
Ungiu em óleo seu corpo em chamas,
Adormeceu ébria nos braços de Baco-
Roga absolvição...


                                   Marcia Portella_Go
Imagem_Web