domingo, 8 de novembro de 2015

Lábios




O vento trouxe você em semente.
Quando entreabri os lábios entrou;
alojou em minha alma...
Por uma fração de segundo,
o mundo pareceu suspenso,
fora do tempo,ecoando apenas
um tênue vagido entre ...
Meus lábios entumecidos...

                               Marcia Portella

Diga





Diga onde está neste momento
para que siga tua lembrança...
Pintarei o rosto sumindo na 
mistura de cores;um vulto a te
velar na noite dos aflitos quando
 teu sono, despertar em gritos...
Neste momento...há de sentir...
Que em ti existo...


                                     Marcia Portella

Em vermelho




Conto contas e canto.
Resvalo nas cores
céu da boca cereja...
Verde mar ondula
Velejando sem pejo...
Lua surgindo...
Sentinela de prata
Na tarde que sangra...

                          Marcia Portella

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Partir e voltar




Quando o vento soluçar entre olmos
escurecendo meu olhar, lembrarei
que na ânsia de voar matei sonhos
no calor da realidade...
Desfiei colares de dores murmurando
ladainhas com gosto de mar...
Escorreguei na melodia dos poemas
afogando-me no rio saudade...
Trouxe a paixão que tornou-se amor
andando em praias de areias brilhantes,
vindo em mares sombrios;despidos de
sonhos ao canto de tristes fados...
O rosto...ah meu rosto...criou vincos
traçados pelo sal que aportou nos lábios;
veleiro à deriva do lume do olhar...
Não espero o amanhã...não peço pra ficar...
Tenho pressa de partir...
                   Tenho pressa de voltar..

                      Marcia Portella

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Rosário




A noite surgiu em
 pensamentos acariciando
 palavras proibidas,
asfixiadas no silêncio
afogadas, em horas vazias.
Soltou o fio que
enrolou o começo,
e o fim do desejo,
descendo em ondas
 dos meus cabelo...
Gestou segredos 
escondidos,renascidos,
do limbo cinzento...
dos esquecidos.
Cortou o fio da memória
caindo deslizante entre dedos
  como contas de um rosário,
 Inacabado... 


                                  Marcia Portella

domingo, 27 de setembro de 2015

Voz calada




Apesar da luz que irradia,
sinto que entrei em um mundo de
 sombras,recolhida no silêncio com
uma cortina de tule descendo
diante dos meus olhos...
O grito mudo de sua ausência some
espantoso entre as paredes ...
Ouço sua voz calada, sua respiração;
te amo no desespero dos aflitos...
Vejo seu caminhar no vulto encolhido,
solitário,que passa com os braços soltos
nos lados como anjos caídos...
Sozinha, cruzo as mãos em prece.
Cerro minhas pálpebras_borboletas
cansadas de dançar entre flores inquietas...
Velas acesas despejam sombras nas paredes.
Lamento como uma carpideira
 entoando ladainha.
Em desespero,brado em gritos infames
entre velas e flores;...não posso
 ficar parada no tempo!.
Entrego nossas almas à esteira rolante da 
da eternidade desço o véu.
Sigo em sombra...


                                                     Marcia Portella




Quieto silêncio




A tarde fervilha de libélulas em
rodopios ensandecidos...
O último raio de sol escorre do céu
brilhante,com suas pontas afiadas.
Sinto neste instante o tecido da vida
me coser em alinhavos de saudades...
Vejo o sol se por envelhecendo o dia, 
e os sonhos na tarde que finda...
Com o vento,lâmpadas suspensas
balançam criando um jogo de sombras
onde reviso o passado como um extenso
rolo de filmes antigos...
A memória acorda,cessa o vento, 
e transforma a vida em...
Quieto silêncio.


                                                  Marcia Portella